Existe um lugar especial onde cada um se compreende. Uma intimidade que só se permite a si mesmo. Um espaço onde nada precisa ser dito porque tudo já se mostra claro. É nesse lugar que moram os maiores desafios...
Entender-se e respeitar-se é base pra saber explorar a tão famigerada felicidade, mas será que isso não pode se transformar numa armadilha? Já me explico. A grande pegadinha talvez esteja exatamente nesse excesso de transparência. Esse altruísmo social de ser quem se é, sem pudores ou desconfianças. A grande busca pela manutenção da essência sem entendimento de causa. O perigo mora no campo do saber-se sem efetivamente moldar-se.
A evolução do pensamento e da personalidade se dá ao longo das descobertas, das falhas, dos questionamentos. É mais fácil ser quem se é, natural e instintivamente, do que se transformar naquulo que se deseja ser criticamente. O autdescobrimento é um processo onde nos encontramos e nos perdemos pra reencontrar um novo eu. E então essa procura não pode sessar pois ela possibilita a mudança e essa mudança é que nos move pra adiante.
Mas e o conforto... Bom... O conforto vem de um lugar oposto a mudança. E não obstante vamos desejar íntima e desesperadamente a calmaria e a inércia por muitas vezes... E quando estivermos imersos de confiança então partimos em busca de mais mudanças. Esse ir e vir nos transita e nos cooordena.
Nesse fluxo de construção do ser, o mundo pouco muda, mas a perspectiva dele pode-se inverter radicalmente. E quando isso ocorre podem desencadear os abismos de compreensão. É aquele ponto onde tudo parece demasiado claro, sob uma nova visão, de forma que parece imperativo ao ego que aquilo seja urgentemente alcançado. No entanto o pensamento não segue de mudança estrutural absoluta e a resiliência por conforto retorna paulatinamente. Nesse ponto de compreensão absoluta do eu é experimentada, não por acaso, a maior solidão que desentegra do social em direção ao individual.
Por fim, vivendo esses abismos, aceleramos nossa capacidade de escolha. Destituir-se de itens supérfluos e Agregar-se de obstinação construtiva. Nesse processo fica pra trás o que prende ao conformismo e abre espaço pro que nutre a evolução. Nesse processo as perdas são a maior conquista, ainda que possam representar socialmente a quebra de um idulto conservador.
E cada um segue rompendo... Criando abismos d pontes através do que se vê, do que se sente, do que se foi.
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