quarta-feira, 20 de julho de 2011

Desafio

       No texto de hoje eu vim pra te desafiar, pra me desafiar. O desafio é a palavra exata pra descrever o que desejo colocar em certos assuntos tão abstratos. Vou então começar o desafio colocando a minha visão dos fatos, o meu prisma dos momentos, o meu coração e a minha mente. O seu desafio é depois de ler tudo ser capaz de produzir um conceito sobre o assunto. No desafio de hoje eu quero propor uma reflexão.
       Vamos começar pela palavra FANTASIA. Pra mim fantasiar é essencial. É quase um ponto de partida para desejar. É o alicerce abstrato do meu mundo concreto. E pra você o que significa fantasiar? Que valor você dá a sua fantasia? No que ela influencia em nossas vidas? O que ela promove?
       Quando comecei a pensar no assunto me veio imediatamente a conexão entre os sonhos e a fantasia. Isso porque que não sabe fantasiar, quem não se deixa arrebatar pelo abstrato, pelo impossível, pelo irreal, não tem a noção do quanto nosso sonhos podem ser nossos aliados. Eu digi isso porque sonhar, e não apenas dormindo, nos leva a acreditar mais em nós mesmos, e principalmente nos leva a vrer que existem soluções para todos os problemas, ainda que por vezes, não se possa enxergar de imediato.
       Quem fantasia afasta de sio impossível, afasta de si a tristeza. Quando nos envolvemos pela mágica do irreal somos capazes de nos distanciar do cotidiano, da rotina, somos capazes de ser quem não somos. Só quem fantasia é capaz de trocar de lugar com o outro e enxergar o que só ele vê. Quem fantasia pode brincar de Deus, Trocar o que é ruim pelo melhor, descobrir no que está errando e se corrigir, de dentro pra fora.
       Quando a gente vive de fantasia soos arremeçados na realidade de tempos em tempos e isso pode quebrar a conexão, os sonhos, mas quando a gente fantasia pra deixar de leado o que incomoda, pra nos colocar pra cim, pra reavivar o brilho nos olhos, sem perder a conexão com a realidade, nesse ponto ganhamos um plus imenso perante aqueles que não aprenderam a sonhar. Somente quem vive com a fantasia sabe o valor que dá a cada sonho.
       Vale a pena então continuar o nosso desafio?! Vou tentar! A próxima palavra é ESPERANÇA. De onde vem a sua esperança? Onde você a conserva?
       No meu caso é tudo incrivelmente simples. Resolvi, desde muito criança, a ter esperança atrelada diretamente ao meus poderes. Não espero que nada que eu não sou capaz de prover, seja mental ou fisicamente, se realize por arte de um milagre.
       É claro que pra não perder a capacidade de acreditar nesses milagres, ainda que pequenos, eu sempre tomei o cuidado de fantasiar amplamente, maximizando os meus poderes muitas vezes além do real. No entantoesse conceito me protege e sempre vai me proteger de transformar a esperança em obcessão, em ilusão. Não podemos aguardar pelos milagres, é preciso lutar pra viver sem eles, e pra isso uso a minha esperança, um sentimento pró-ativo, pra cerer que eu não preciso ter sempre sorte, e pra valorizar, com o devido mérito, cada pequena parcela de milagre que o destino enviou a mim.
       Pra terminar o desafio vou fechar com o mais complexo. Vou tentar decifrar o MEDO. De onde ele vem? Pra que ele existe? Como lutar contra ele?
       Pela minha perspectiva, depois de anos pensando sobre esse tema, o medo é mais que uma emoção, e menos que um sentimento. Ele se encaixa numa categoria única e incerta. Pode ser que daqui a muitos anos eu decifre e complete essa parte do meu conseito, mas por hora o coloco assim.
       O medo é o que promove a inércia ou a reação. Ele advem do nosso instinto de preservação. Ele existe simplesmente pra impedir que pequemos pelo excesso. Ele deve limitar com o objeto de podar partes da nossa personalidade que temos dificuldade de abordar corriqueiramente. O medo é a causa e a consequência e por isso é o único que pode agir sobre ele mesmo.
       O pior medo que podemos viver é o medo de ter medo. Esse é o medo que paraliza, que incapacita, que destrói. Fora isso é normal e até saudável sentir medo. Quando aprendemos a lidar com nossos medos, 1 a 1, nos conhecemos com profundidade, deciframos a facetas mais complicadas da nossa personalidade, criamos um ponto de partida para crescer.
       Quem não sente medo não aprende a ter malícia, perde o instinto de proteção. Que só sente medo se impede de aplicar o seu potencial na sua vida, de criar, de inovar, de ir mais longe. Quando se aprende a viver, nas diversa áreas da vida, sem o medo, com o medo e apesar do medo é que se alcança o verdadeiro livre arbítrio.
       Então desafio feito, desafio cumprido. Deixo vocês com a frase final: "Tenha esperanças nas suas fantasias, Fantasie com seus medos e não tenha medo das suas esperanças!"

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Superação

       O título desse post já sugere tudo. Essa palavra, SUPERAÇÃO, é a alma do projeto de viver. Quem não se supera, em diversos aspectos, não evolui. Mas o meu objetivo hoje é bem mais amplo que falar apenas de superar. Hoje eu quero falar a fundo tudo que me remete ao conceito que estabeleci sobre esse tema.
       Muita gente não sabe o que é superar, isso porque o mecanismo que usamos pra fazê-lo, seja com relação a momentos, coisas, sentimentos ou pessoas, é por vezes controverso. A maioria das pessoas tende a se apegar em algo negativo sobre o ponto que "deseja" superar, para minar o que havia de positivo e incomoda. Faz isso na expectativa de que chegue a indiferença, principal produto da superação. No entanto achar o ponto exato onde isso ocorre é pra poucos e isso leva apenas a mudança de direção do vetor, sem anulá-lo, transformando o que era bom em raiva.
       Quando superamos algo é importante que aquilo não faça mais sentido dentro do novo contexto que projetamos. Poucas pessoas entendem a simplicidade disso e acabam inconscientemente por confundir mágoa, ressentimento e frustração, inerentes a experiência, com a incapacidade de superar.
       O que acaba acontecendo é que o tempo acaba sendo o o instrumento mais antigo e mais funcional pra maioria das pessoas. Fazendo as mudanças de fora pra dentro. O tempo nos modifica. Envelhecemos, mudamos de casa, de emprego, de estilo de vida, de sonhos, e isso tudo mudado faz então com que o que sentíamos passe a não fazer mais sentido no novo contexto, e portanto superamos.
       O ponto de desacordo ocorre geralmente quando o tempo não modifica isso na medidade e com a velocidade necessárias a importância do "problema". Quem é escravo do tempo pra superar se torna suceptível a transformar um sentimento em outro e pode acabar por ter a sensação, mesmo depois de conceitualmente superar aquele primeiro ponto, que deixou algo para trás.
       A melhor forma de superação é aquela pró-ativa, que parte de nós mesmos, sem negação, sem hipocresia. É aquela que valoriza o que foi positivo e não se ressente do que não foi bom. Que entende que sempre vão haver dois lados. E superar é um verbo completamente racional. A mente precisa controlar o coração. Quando mudamos o contexto de dentro pra fora as lembranças permanecem intocadas, nos trazendo afagos ou lições.
       Certo de que determinamos o nosso conceito de superação precisamos também tentar descobrir o nosso mecanismo de superação, ou estabelecer um novo, e testar. O mecanismo funcional é próprio, único e difícil de explicar ou abstrair, no entanto pensar sobre ele pode ser o suficiente para criar regras práticas que se apliquem a você mesmo. Somente quem se estuda, se entende e só quem se entende tem o real controle.
       Continuando a falar sobre superação há uma palavra bem interessante que caminha lado a lado, que costumo chamar de sublimação. A sublimação é a prima da superação. A prima mais amável, mais convidativa, mais superficial. A sublimação ocorre quando teimamos em deixar de lado, esconder de nós mesmos, nos confins do pensamento, algo que tinhamos a necessidade ou a expectativa de superar. É quando ao invés de encarar de frente o "problema" nós preferimos o caminho mais fácil. E claramente tudo tem consequências. Quem sublima ao invés de superar paga o preço por permanecer sempre acorrentado àquela insatisfação que aguarda pelo momento de voltar a tona.
       Por vezes é preciso lançar mão da sublimação. Ela não é necessariamente a prima má. Há circunstâncias em que é preciso se dar um tempo antes de enfrentar. Por vezes é preciso deixar com que a "ferida" pare de "sangrar". Mas o comum é se render ao conforto de sublimar por mais tempo que se deveria e se paga o preço do descaso consigo mesmo.
       Saindo dos conceitos e pulando pros fatos a melhor aplicação disso se refere a interferência das drogas. No cotidiano a droga mãe é o álcool. Acessível, indiscriminatório, cultural, barato, sedutor. O álcool é capaz de aflorar o melhor e o pior de cada um. Não vou me reter hoje no álcool, mas ele será nosso fiel escudeiro transformando o conceito em um fato. Quem sublima ao invés de superar é frágil diante do álcool. Ele pode desde escravizar até transformar na mais cruel das pessoas. Quando se bebe a mente fica mais frágil.
       Não sou psicólogo, mas já ouvi por alto algo sobre o ID, o Ego e o SuperEgo que explicam bem essa teoria, no entanto me apego a explicação mais prática, o álcool fragiliza. Ao estar fragilizado existem então, na minha visão, 2 vertentes principais do produto da sublimação:
- Os primeiros são aqueles que sublimaram os prazeres e não aprenderam a se reeducar, não superaram seus "desejos" proibidos, não enfrentraram suas facetas primitivas, aqueles que não decidiram por controlar a sua mente e/ou seu coração. Esses são aqueles que serão escravizados pelo álcool, pela pseudoliberdade que ele trás em conjunto com a carga de falsa justificativa. Para estes o prazer de "voltar" a ser eles mesmos vicia e provoca rapidamente uma ligação psicológica com o álcool.
- O segundo tipo parece bem mais leve, mas é também bastante complicado de lidar. Parece mais leve porque não costuma incomodar tanto o indivíduo, é mais domesticado. Esses outros são aqueles que guardam as mágoas, as frustrações, a culpa, aqueles que não superam os erros do passado, deles mesmos ou de ourtros para com eles. Esses ao invés de cicatrizes carregam feridas abertas cobretas por um véu de ilusão. Nesse caso a tendência é que quando o álcool traga a tona isso tudo haja uma necessidade incontrolável de descarregar, na maioria das vezes imediatamente. Nessas pessoas ocorrem as catarses emocionais. E não se engane achando que elas aparecem somente sobre a forma de choro, gritos e tapas. As catarses emocionais são profundas, apenas se exteriorizam diferentes de acordo com o indivíduo, mas pode ser como um iceberg, na qual a parte que não se vê é em geral muito maior. No que toca a essas pessoas o fator determinante é a sensibilidade. Quanto mais abertos, emocionais e passionais, mais a catarse se exterioriza. Ela vem como uma avalanche, mas como uma maré ela vem e ela torna. Opostamente, nos mais fechados, racionais e inseguros, a catarseaparece menor, parece ainda mais leve. Vêm sob a forma de pequenas atitudes, comentários, caretas. No entanto ela permanece e a ressaca dela pode durar semanas...
Os "monstros" que foram sublimados cobram seu tempo de existir, de uma forma ou de outra!
       Por fim o importante é tirar lições. Superar o que é preciso. Sublimar o que é necessário. Na ser hipócrita com você mesmo. E viver sem culpa de escolher. Quem não escolhe, não comanda!

Nostalgia

       Ser nostálgico é um dom, e também um carma. Só um nostálgico entende o outro. O prazer da nostalgia é etéreo, é singular. Algumas vezes os nostálgicos são taxados de depressivos, como pessoas que vivem de passado. No entanto essa definição é simplória demais.
       É bem verdade que Eu, bom nostágico que sou, tenho a tendência peculiar de comparar o passado e o presente incessantemente em busca de retormar o que me trazia felicidade. De tomar de volta o sentimento. O prazer de fazer isso só um nostálgico pode entender!
       Mas é bem verdade que a nostalgia trás com ela um tom de depressão. São como dois lados da mesma moeda, que apesar de estarem próximos, unidos, são inacessíveis ao mesmo tempo. A nostalgia se interrompe ao mesmo tempo que esse tom depressivo chega. Um não existe sem o outro. A nostalgia protege e castiga, porque ela te faz feliz enquanto dura e nela você pode se apoiar quando se sente sem forças, no entanto ao mesmo tempo ela provoca insatisfação e tristeza recorrentes quando se vai.
       Eu diria que ser nostálgico é quase um estado de espírito. O maior desafio que a nostalgia trás é aprender a conviver com ela sem estabelecer uma relação de dependência. É preciso sermos capazes de agir no presente sem o apoio incondicional no passado, já que por vezes as circuntâncias atuais são tão divergentes de tudo que já vivemos que é preciso esquecer o passado e tomar uma atitude original, sob pena de nos arrependermos.
       E o arrependimento, esse costuma ser o companheiro inseparável dos nostálgicos, o que tende através do tempo a torná-los pessoas passivas. Os nostálgicos patológicos vivem a espera de coincidências e são absurdamente influenciados por elas. Falo porque já fui um escravo da minha nostalgia. O mecanismo ocorre como um desejo incontrolável de reter os momentos bons, a qualquer custo!
       Os nostálgicos preferem promover as coincidências na tentativa de repetir os efeitos. O pecado de se fixar nessa atitude é óbvio, a falta de originalidade. O que conquista, surpreende, encanta, pessoas diferentes geralmente não é a mesma atitude, por vezes sequer atitudes similares, e portanto esperar resultados iguais quando se trata de pessoas diferentes é no mínimo imprudente.
        Nós nostálgicos somos apaixonados pelos nossos sentimentos e não pelas pessoas ou coisasque o provocam. Os sentimentos de segurança, poder, amor, prazer, provocam uma sensação enebriante. O perigo reside no vício de buscar os sentimentos sem atentar ás consequências. Quando envolvemos outras pessoas estamos sempre jogando um jogo arriscado.
       Me arrisco a afirmar que nos relacionamentos os nostálgicos aprendem a lição somente quando amadurecem. Isso porque é preciso entender como e porque os sentimentos surgem para ser capaz de dedicar-se ao outro numa entrega mútua. É preciso aprender a ver no outro, refletido, o prazer trazido pelo sentimento que ele provoca em você. Tirar o foco do 1 e passar pro 2!
       Hoje escrevo tudo isso tranquilamente, mas minha reputação não me acompanha tã ilesa quanto pode parecer. Posso dizer que controlo minha nostalgia, mas sei que serei pra sempre habitado por ela!