Sabe aqueles dias que acordamos, nos olhamos no espelho e
constatamos: Não tenho nada a reclamar. Acho que esse dia foi hoje. Apesar
disso é claro que essa colocação é muito simplória, é muito geral. Ter esses insights
me leva a um amplo processo de reflexão.
Quando escrevo em geral é porque me vêm inspiração, ou
vontade, ou ambos. Acho que os melhores textos vêm quando há muito dos dois.
Refletir sobre o que nos faz feliz, o que nos incomoda, o que nos falta... É um
exercício inconsciente e diário e por isso talvez seja tão raro vem esse tipo de
frase se superficializar desta forma, provavelmente porque estamos muito
preocupados em viver sem o devido tempo de planejar o hoje de forma objetiva.
Avaliando sob o aspecto da satisfação pessoal, os nossos
sonhos são em geral o nosso objetivo final. No entanto a felicidade que pode
ser retirada de cada meta, de cada degrau galgado, na busca desse objetivo,
pode ser uma boa lição de como ser feliz no caminho e não apenas no fim. Porque
a vida se faz no caminho!
É importante pensar sobre si. Sobre seus defeitos e
qualidades. Sobre causa e conseqüência. Mas é extremamente importante. Rever
seus conceitos, decifrar seus mecanismos, pode ser a chave pra ser mais feliz a
cada dia. É preciso resolver os conflitos internos, é preciso trabalhar os
defeitos.
Por diversas vezes nos visualizamos em ciclos de
desentendimentos sucessivos e constantes derivados da nossa personalidade, que
por vezes são um produto demasiadamente ácido de nós mesmos. É neste ponto que
é preciso se entender. Tanto pra ser auto-indulgente, quanto pra trabalhar a
mudança. Relação nenhuma resiste há inflexibilidade ampla e contínua. Diminuir
os atritos, se adaptar, é a solução pra diminuir as frustrações e desgastes do
humor no dia a dia.
Além disso, é importante ajustar a sua felicidade. O amor
próprio é essencial. Cada vitória deve ser valorizada, e porque não,
comemorada. Seja ela no mundo material ou no mundo sentimental. Conquistar um
desejo antigo, ter uma noite de prazer, rever pessoas depois de longos
afastamentos, comer o seu prato preferido, comprar algo após uma economia... É
isso que faz o caminho ser feliz. O ajuste não está em reduzir os sonhos, mas
em entender que muitos deles são construídos peça a peça, no dia a dia, e que
esperar pelo dia que o quebra-cabeças estará montado poderá fazer com que
grande parte do prazer se perca.
Por fim, é preciso auto-reflexão, é preciso disposição. Ir
simplesmente vivendo faz com que se perca a possibilidade de opção. Não traçar
metas viáveis, não se respeitar, não cuidar de si... Pode minar o amor próprio.
E quando perdemos nosso amor próprio... Perdemos a auto-estima e todo nosso
mundo que é construído sobre ela.