Ser nostálgico é um dom, e também um carma. Só um nostálgico entende o outro. O prazer da nostalgia é etéreo, é singular. Algumas vezes os nostálgicos são taxados de depressivos, como pessoas que vivem de passado. No entanto essa definição é simplória demais.
É bem verdade que Eu, bom nostágico que sou, tenho a tendência peculiar de comparar o passado e o presente incessantemente em busca de retormar o que me trazia felicidade. De tomar de volta o sentimento. O prazer de fazer isso só um nostálgico pode entender!
Mas é bem verdade que a nostalgia trás com ela um tom de depressão. São como dois lados da mesma moeda, que apesar de estarem próximos, unidos, são inacessíveis ao mesmo tempo. A nostalgia se interrompe ao mesmo tempo que esse tom depressivo chega. Um não existe sem o outro. A nostalgia protege e castiga, porque ela te faz feliz enquanto dura e nela você pode se apoiar quando se sente sem forças, no entanto ao mesmo tempo ela provoca insatisfação e tristeza recorrentes quando se vai.
Eu diria que ser nostálgico é quase um estado de espírito. O maior desafio que a nostalgia trás é aprender a conviver com ela sem estabelecer uma relação de dependência. É preciso sermos capazes de agir no presente sem o apoio incondicional no passado, já que por vezes as circuntâncias atuais são tão divergentes de tudo que já vivemos que é preciso esquecer o passado e tomar uma atitude original, sob pena de nos arrependermos.
E o arrependimento, esse costuma ser o companheiro inseparável dos nostálgicos, o que tende através do tempo a torná-los pessoas passivas. Os nostálgicos patológicos vivem a espera de coincidências e são absurdamente influenciados por elas. Falo porque já fui um escravo da minha nostalgia. O mecanismo ocorre como um desejo incontrolável de reter os momentos bons, a qualquer custo!
Os nostálgicos preferem promover as coincidências na tentativa de repetir os efeitos. O pecado de se fixar nessa atitude é óbvio, a falta de originalidade. O que conquista, surpreende, encanta, pessoas diferentes geralmente não é a mesma atitude, por vezes sequer atitudes similares, e portanto esperar resultados iguais quando se trata de pessoas diferentes é no mínimo imprudente.
Nós nostálgicos somos apaixonados pelos nossos sentimentos e não pelas pessoas ou coisasque o provocam. Os sentimentos de segurança, poder, amor, prazer, provocam uma sensação enebriante. O perigo reside no vício de buscar os sentimentos sem atentar ás consequências. Quando envolvemos outras pessoas estamos sempre jogando um jogo arriscado.
Me arrisco a afirmar que nos relacionamentos os nostálgicos aprendem a lição somente quando amadurecem. Isso porque é preciso entender como e porque os sentimentos surgem para ser capaz de dedicar-se ao outro numa entrega mútua. É preciso aprender a ver no outro, refletido, o prazer trazido pelo sentimento que ele provoca em você. Tirar o foco do 1 e passar pro 2!
Hoje escrevo tudo isso tranquilamente, mas minha reputação não me acompanha tã ilesa quanto pode parecer. Posso dizer que controlo minha nostalgia, mas sei que serei pra sempre habitado por ela!
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