Escrever pra um geminiano é
como falar... Ou melhor, se ainda que possível, é melhor que falar. Isso porque
escrever permite a correção antes do envio da mensagem, a correção das falhas
de discurso, a tentativa da expressão perfeita do pensamento. Nada pode ser
mais geminiano que escrever.
Minha história de vida é
singular, como todas. Não há muito mais oculto sobre o véu da ignorância ou
mesmo sob o medo do julgamento. Errei e muito, mas cresci e também não foi
pouco. Amadureci vendo as coisas darem errado e perdi guerras em assuntos que
sempre tive condições de vencer. Mas assim é pra todos. Não sou privilegiado ou
um mártir. Acho que talvez tenha sido apenas precoce.
Não sou uma pessoa de
relacionamentos típicos, de sentimentos típicos, de comportamentos típicos.
Costumo me sentir sempre um pouco a quem do comum e/ou da frondosa normalidade
social, mas isso nem me incomoda mais. Nessas relações incomuns aprendi que
mais importante que ser previsível é ser estável. Procurei oferecer para cada
uma das relações o melhor de mim que eu pudesse dar, e modéstia a parte deu
certo.
Sou uma pessoa egocêntrica,
auto-suficiente, auto-indulgente e de auto-estima elevada, combinação
suficientemente bombástica pra ser orgulhoso, mas milagrosamente e
racionalmente nunca me tornei um real orgulhoso. Talvez isso não tenha
acontecido por eu ter assistido a inúmeras cenas destrutivas derivadas do
orgulho.
Por não ser prisioneiro do
orgulho perdi as contas de quantas relações eu resgatei, restaurei e preservei.
E me sinto hoje infinitamente mais feliz por isso. Mas pra isso tive que pedir
desculpas com certeza que não estava errado. Tive que admitir erros nos momento
de maior fragilidade. Tive que ouvir ofensas e acreditar que elas eram somente
propagação da raiva. Tive que engolir palavras, tive que gritar sozinho à
noite, tive que perseverar. Mas com o tempo fica mais fácil. Posso dizer por
experiência própria. É possível se destruir em minutos relações que foram
construídas em anos e isso nunca acrescenta nada a ninguém, pelo contrário,
deprime.
Parte tão importante e não mais
fácil é diminuir o orgulho frente a nós mesmos. É aceitar que como seres
humanos imperfeitos, precisamos nos aperfeiçoar. O primeiro passo pra isso é se
conhecer. É preciso observar nossos defeitos com tom crítico e tentar se não
mudá-los a menos amortizá-los. Não é possível e nem louvável chegar ao fim da
vida da mesma forma que iniciamos a adolescência. É preciso aceitar críticas se
autocriticar. É preciso ver no que estamos falhando repetidas vezes. É preciso
parar de se perdoar e passar a se mover pra evolução. Nada disso é fácil, mas é
extremamente gratificante. O que não for natural será aprendido pela
persistência, pela repetição. Evitar problemas será sempre melhor e mais
benéfico que ter de resolvê-los repetidas vezes.
Uma relação é bilateral, mas
também é unilateral, é um produto das duas coisas. Ela é construída a partir do
que cada um sente, expressa e diz. O crescimento pessoal é responsável pelo
crescimento da relação, mas não sozinho. É preciso amadurecer como indivíduo
pra preservar as relações, pra fazê-las durar. É preciso muita tolerância,
muita paciência. Mas também é preciso cuidar. Quando há um comprometimento
unilateral a relação também não sobrevive. O amor sozinho não sustenta o bombardeio
de problemas. As afinidades, o companheirismo, o incentivo, o carinho, o apoio,
a compaixão, a solidariedade... Isso sustenta as relações. Sejam elas de amor
ou de amizade. É preciso se perguntar o quanto disso tenho dado e recebido pra
se chegar a qualquer conclusão sobre o futuro de uma relação.
Hoje em dia é tudo descartável.
Ás pessoas gostam de viver relações novas onde a superficialidade aproxima da
utopia. Nas quais não há comprometimento, há apenas compartilhamento de
prazeres efêmeros. Onde não há confiança, mas há indiferença. Manter
relacionamentos de longo prazo é cada vez mais difícil. A cultura que nos é
passada vai contra todo e qualquer ato de sacrifício. O ego anda valorizado
demais e com ele cresce o orgulho. É preciso saber o que se deseja construir
para si pros próximos 10 anos, porque estamos plantando hoje o que iremos
colher lá. Uma coisa é certa: Não há glória sem sacrifício.
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